| Filha
de uma geração que acreditava poder transformar
o mundo, tudo na vida da historiadora e figurinista Emília
Duncan “estava voltado para a questão social,
o estudo do Brasil e das populações oprimidas”.
Durante a fase da anistia brasileira, fez parte de um grupo
de estudos de filosofia, no qual conheceu artistas e tomou
contato com a idéia da reciclagem, encantando-se com
o universo da transformação. Pensando em estudar
em Paris, foi incentivada a vender as bolsas que antes confeccionava
por mero prazer.
Ao terminar a faculdade de história,
foi trabalhar no Arquivo Nacional e se encantou com a possibilidade
de pesquisar. Criou sua marca própria e, já
na primeira coleção, conseguiu aliar a moda
à pesquisa histórica, disso resultando um convite
para incursionar como figurinista no cinema. No entanto, Emília
considera essa primeira experiência na área como
o antifigurino, pois na moda “a roupa é a espinha
dorsal”, enquanto o figurino “carrega uma significação
muito mais forte porque sintetiza idéias”. Mesmo
assim, foi ao estudar moda e história da indumentária
em Nova Iorque que Emília aprendeu a usar a imaginação
para criar e recriar seus figurinos. E acredita que hoje “os
estilistas têm um papel na criação de
imagem quase tão grande quanto os artistas plásticos
tinham no Século XIX”.
Depois de ter criado figurinos para shows
e cinema, iniciou sua carreira como figurinista teatral e,
por gostar de desafios, aceitou trabalhar também na
TV. O que Emília gosta, na verdade, é de conhecer
linguagens novas e reverter padrões o tempo todo. Apesar
de ser muito reconhecida por suas criações –
ganhou quatro prêmios com os figurinos de O Burguês
Ridículo –, acha que o teatro suga muito
e, por esse motivo, é quase uma profissão de
fé.
Mas, independente do veículo para
o qual esteja trabalhando, a figurinista prefere mesmo é
criar, recriar, questionar e pesquisar. As divagações
sobre seu trabalho a remetem à lembrança do
grande amigo Silvio Tadeu Burgos, que perguntava para ela:
“Você já reparou que a gente gosta mesmo
é de brincar de Deus”? |
Historiadora, cria figurinos para as mais variadas
mídias: teatros, shows, cinema e televisão.
FIGURINOS:
- TEATRO
(1991) As Mil e Uma Noites
(1991) A Trupe Futurista
(1992) Colombo
(1996) O Burguês Ridículo
(1998) A Dona da História
(1999) Por Um Novo Incêndio Romântico
(figurino da atriz Letícia Sabatella)
(2000) Garoto Noel
- TELEVISÃO
(1995) O Engraçado Arrependido (Brasil
Especial)
(1995) Memórias de um Sargento de Milícias
(Brasil Especial)
(1995) Tempos Modernos (Comédia da Vida
Privada)
(1995) Casados e Solteiros (Comédia da Vida
Privada)
(2000) Um Anjo Caiu do Céu (novela)
(2000) A Muralha (minissérie)
(2002) Desejos de Mulher (novela)
(2004) Um Só Coração (minissérie)
- SHOW
(1986) Grupo Kid Abelha - Rock’n Rio
(1988) Apresentadores do Prêmio Sharp de
Moda
(1998) Show de Tom Jobim, em Nova Iorque
- CINEMA
(1984) Estrela Nua
(1988) Dias Melhores Virão
(1993) Carlota Joaquina
(1996) O Que é Isso, Companheiro?
(1997) Coração Iluminado
(1998) Copo de cólera
(1998) Orfeu
(1998) Bossa Nova
(2001) Copacabana
(2003) Lisbela e o Prisioneiro |