| Antes
de se tornar figurinista, Fabio Namatame excursionou pela
arquitetura, artes plásticas, montou uma estamparia
e uma pequena confecção para produção
de camisetas e se formou em publicidade. Ao fazer um curso
de expressão corporal e depois de estudar com a atriz
Denise Stoklos, começou também a atuar em espetáculos
de mímica, para os quais ele mesmo criava os figurinos
e a maquiagem. Seu trabalho ganhou repercussão e o
levou a ser contratado por cineastas e publicitários
até ser convidado a elaborar maquiagens e figurinos
também para espetáculos teatrais.
Uma dificuldade no teatro, para ele, é
enfrentar a preguiça dos atores para as provas de roupas,
mas sua experiência o ajuda na compreensão: “você
só sabe avaliar um figurino se já colocou um
na sua vida”. E também colabora na falta de preconceitos:
“Qualquer pessoa que trabalha com moda pode fazer um
figurino teatral, desde que tenha sensibilidade para o teatro”.
Segundo Namatame, a parte mais angustiante do trabalho consiste
em entender a proposta da concepção. A fidelidade
histórica, em um espetáculo teatral, depende
muito da linguagem escolhida pelo diretor, na sua opinião,
afinal de contas, “teatro é farsa e não
tem compromisso com a realidade, como o cinema”. Por
esse motivo, procura sempre levar sua criatividade além
de suas primeiras idéias e gosto pessoal, pois acha
que as melhores possibilidades podem se encontrar nos contrários.
Mas sua ascendência japonesa é
usualmente uma fonte de inspiração, já
que lhe deu o fascínio por tecidos, pela simplicidade
de formas, volume e cor. Um exemplo bem-sucedido é
o figurino feito de papel de seda para o ator Cássio
Scapin, em Memórias Póstumas de Brás
Cubas.
Namatame se surpreende com a quantidade
de produções que fez e fica feliz por saber
que seu trabalho é prestigiado. Ao ser questionado
qual, afinal de contas, é sua profissão, o artista
não contém os risos que permearam toda a conversa.
E, para responder à pergunta, considerada por ele quase
analítica, revela que sempre assina como “da
produção”, porque é algo que engloba
a equipe inteira, pois enxerga o teatro como “um mundo
onde me sinto realmente em casa”. |
Ator, cenógrafo, maquiador, diretor
de arte, programador visual, já concebeu figurinos
para os mais variados veículos: teatro, ópera,
cinema, televisão, publicidade, tendo recebido vários
prêmios Shell e Apetesp.
FIGURINOS:
- TEATRO
(1984) Mão na Luva
(1985) Morangos Mofados
(1986) Ciúme
(1987) Casa
(1990) Sexo dos Anjos
(1990) Não Tenha Medo de Virgínia Woolf
(1990) Max
(1991) Hiperboréa
(1991) Shirley Valentine
(1991) Pierrot
(1993) Vacalhau e Binho
(1993) Palmas para o Senhor Diretor
(1993) Pigmaleoa
(1993) Futilidades Públicas
(1994) Desmedéia
(1995) Angels in America
(1995) O Livro de Jó
(1996) Cenas de um Casamento
(1996) Master Class
(1996) Uma Menina Muito Maluquinha
(1996) Mórus e Seu Carrasco
(1997) Oscar Wilde
(1997) Reis do Improviso
(1997) Como se Fosse um Crime
(1998) A Lista de Ailce
(1998) Ele é Fogo
(1998) Vermouth
(1998) Memórias Póstumas de Brás Cubas
(1998) Aos que Estão por Vir
(1999) Harmonia em Negro
(1999) Honra
(2000) Quixote
(2000) O Guarani
(2000) Apocalipse 1,11
(2000) As Mil e Uma Noites
(2000) Joana Dark, a Re-volta
(2001) O Beijo no Asfalto
(2001) Hamlet
(2001) Intimidade Indecente
(2001) Tistu o Menino do Dedo Verde
(2002) Blue Room
(2002) A Filha da...
(2002-2003) Elis, Estrela do Brasil
(2003) Na Medida do Possível
(2003) Casa, Comida e Alma Lavada!
(2003) Três versões da vida
(2003) Paraíso Perdido
(2003) O Evangelho Segundo Jesus Cristo
(2003) Zôo Story
(2003) Estrelas do Orinoco
(2003) Pedro e Vanda
(2003) Mephistópheles
(2004) Coração Bazar
(2004) Turistas e Refugiados
(sem data) Apareceu a Margarida
(sem data) Corpo Sutil
(sem data) Nós Dois, Oskar... para Sempre
(sem data) Silvia
-TEATRO DANÇA
(1998) Ciranda dos Homens... Carnaval dos
Animais
(2000) Folias Guanabaras
(2000) Mãe Gentil
(2003) Desatino do Norte Desatino do Sul
(2003) Vem Dançar
(2003) Itália+ Brasil
(2003) Além da Linha d'Água - Revisitando o
Sertão
- CINEMA
(2003) Acquária
- SHOW
(1998) Invisíveis Cores - Zezé
Motta
- ÓPERA
(2001) Carmen
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