| Formado
na brasilidade da cultura interiorana, a referência
do diretor, figurinista e cenógrafo, Gabriel Villela
baseia-se em três pilares distintos: o imaginário
do povo mineiro, as festas populares e o circo-teatro. Suas
influências também vieram da tia modista e da
mãe bordadeira e foram reforçadas em seu estilo,
não por uma universidade, mas por pessoas de espíritos
e pensamentos nobres, segundo ele mesmo sentencia, como Carlos
Alberto Sofredini, Irineu Camiso Jr. e Romero de Andrade Lima,
que o ajudaram a ser reconhecido pela forte característica
barroca de suas criações. Nesse momento, Villela
já havia iniciado sua trajetória paulista, ao
vir cursar Direção Teatral na Escola de Comunicações
e Artes da Universidade de São Paulo (ECA - USP).
Para Villela, a criação de
um espetáculo começa pelo cenário e figurino,
antes mesmo de considerar o ator, pois é a roupa que
liga o homem ao seu pensamento e evolução. E
é nela que está impresso o arquétipo
da personagem, o qual “chega antes da palavra, pelo
sentido da visão”. Mesmo assim, seduzir o intérprete
é fundamental para ganhar a credibilidade necessária
de sua criação: “Dê para um ator
uma capa e anéis, ou uma rampa e uma escada, e você
estará dando tudo para ele”.
Villela acredita que um bom figurinista
deve ter domínio técnico e “conhecer a
qualidade de um bordado pelo avesso do bordado”. E embora
o figurino exerça grande fascínio sobre ele,
considera-se um diretor de teatro e enxerga o ato de criar
o aspecto visual de uma montagem teatral como uma conseqüência
à sua criação teatral.
Inspirando-se sempre na própria
origem, Villlela não deixa, segundo ele, de tirar os
olhos também do futuro e acredita que a burca, após
os acontecimentos de 11 de setembro, será a indumentária
que está por vir. Não enxerga a roupa longe
da religião, nem a religião longe do teatro
e reza muito para o santo Shakespeare, que o ajuda sempre
a passar nas alfândegas: “Seu Shakespeare, valei-me,
valei-me”! E complementa: “Se o figurinista foi
fundamental para Deus, imagina para o teatro”. |
Dirigiu mais de 25 espetáculos teatrais
em 15 anos de carreira e já recebeu mais de 150 prêmios
no conjunto da sua obra.
FIGURINOS:
- TEATRO
(1989) Você Vai Ver o que Você
Vai Ver
(1989) O Concílio do Amor
(1990) Relações Perigosas
(1990) Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu
(1991) A Vida é Sonho
(1992) Romeu e Julieta
(1993) A Guerra Santa
(1994) A Falecida
(1994) A Rua da Amargura
(1995) Seis Personagens à Procura de um
Autor
(1995) Torre de Babel
(1995/96) Mary Stuart
(1996) O Mambembe
(1996) O Sonho
(1996) Ventania
(1997) A Aurora da Minha Vida
(1997) Morte e Vida Severina
(1998) A Vida é Sonho
(1999) Alma de Todos os Tempos
(2000) Replay
(2000) Ópera do Malandro
(2001) Os Saltimbancos
(2001) Pólvora e Poesia
(2001) Gota D’água
(2002) Sonho de uma Noite de Verão
(2003) Ponte e a Água de Piscina
(2003) Auto da Liberdade
(2003) Material Medéia
(2003) O Quarteto
(2004) Fausto Zero
- TELEVISÃO
(2001) A Paixão Segundo Ouro Preto
(TV Globo)
- ÓPERA
(1991) Gianni Scchichi
- CARNAVAL
(2004) Unidos do Viradouro (comissão
de frente)
- SHOWS
(1993) Show de Entrega do Prêmio Shell
de
Teatro
(1994) Show de Entrega do Prêmio Sharp de
Música e Teatro
(1997) Tambores de Minas, com Milton
Nascimento
(1998) Ivete Sangalo, solo
(2004) Elba Canta Luiz, com Elba Ramalho |