O Mestre...

Gianni Ratto

Diretor, cenógrafo, figurinista, autor, tradutor, pesquisador, fundador de grupos e teatros brasileiros, professor de atores e cenógrafos em universidades de diversos estados, Gianni Ratto chegou ao Brasil em 1954, convidado pela atriz Maria Della Costa, e por aqui ficou. Nascido na Itália, lá realizou inúmeros e bem-sucedidos trabalhos em todos os setores do espetáculo, da dramaturgia à música, com nomes como Giorgio Strehler, Stravinski, Mitropoulos, entre outros. Formado em artes plásticas, em Gênova, e arquitetura, em Milão, foi cenógrafo oficial do Teatro Piccolo durante sete anos e vice-diretor técnico e cenógrafo do Teatro Scala por quatro anos, além de ter trabalhado em montagens teatrais e de óperas em vários países.

Sua importância para o teatro nacional é histórica e ajuda a marcar a fase de profissionalização do teatro brasileiro com a criação do TBC. Tornam-se dispensáveis maiores apresentações deste mestre teatral que, apesar da complexidade de seu currículo, não vê o teatro como mais que “uma tábua com um ator em cima”.

Mesmo com a simplicidade usada na definição, Gianni Ratto considera importantes todos os elementos cênicos e sabe que o maior problema é conseguir deixar um espetáculo coeso. E, ainda que considerando o figurino uma conseqüência, não deixa de pensá-lo como indispensável, já que é “a pele de uma personagem que ainda não existia como escritura teatral, mas somente dentro do pensamento do autor, e que foi transferido pelo teatro para o palco”.

Não faltaram conhecimento e erudição teatral nessa boa conversa sonorizada por cantos de passarinhos oriundos do jardim de inverno de sua casa. Suas divagações e lembranças acerca da temática da indumentária são um verdadeiro documento para uma arte que, segundo Gianni, deveria ter “em lugar da mediocridade, o pensamento voltado para a medialidade: o plano médio no qual todos se encontram”.

Dirigiu mais de oitenta peças, fez iluminação para mais de noventa e cenários para mais de 140 espetáculos, entre dramáticos, líricos e balés.

FIGURINOS:

- TEATRO

(1958) O Santo e a Porca
(1958) Jornada de um Dia para
Dentro
(1960) Gata em Teto de Zinco
Quente
(1963) César e Cleópatra
(1966) O Santo Inquérito
(1968) O Pequeno Príncipe
(1972) A Grande Imprecação Diante
dos Muros da Cidade
(1973) Frank V
(1973) Caminho de Volta
(1974) Um Bonde Chamado Desejo
(1974) O Jogo do Poder Segundo
Shakespeare
(1975) Ricardo III
(1976) Ponto de Partida
(1977) Delírio Tropical
(1977) Pequenos Burgueses
(1977) Os Saltimbancos
(1978) Gata em Teto de Zinco
Quente
(1978) O Grande Amor de Nossas
Vidas
(1979) Lola Moreno
(1990) Em Busca dos Bons
Momentos
(1991) Lettice e Lotte
(1992) Lisístrata
(1994) A Última Carta

- ÓPERA

(1959) A Menina das Nuvens
(1964) Werther
(1971) O Elixir do Amor
(1976) Salvador Rosa
(1979) Cavalleria Rusticana
(1979) Pagliacci
(1979) Schiavo
(1980) Don Giovanni
(1981) O Barbeiro de Sevilha
(1981) Suor Angélica
(1981) Carmina Burana
(1982) Woyzeck
(1983) O Elixir do Amor
(1983) La Vida Breve

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